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Os indicadores da TOC

12 de agosto de 2009 por Itamar Vieira. 2 Comentários ».

Conheci a Teoria das Restrições (TOC) no final dos anos 1980. Alguns anos mais tarde tive a oportunidade de experimentá-la na prática na gestão de uma indústria de médio porte e pude comprovar o seu valor na tomada de decisões.

Desde o início me encantei com sua simplicidade e lógica. Mas tenho visto muito pouco uso em pequenas e médias empresas. E acho que há basicamente duas razões para isso acontecer:

  1. Suas novas idéias não foram praticadas, ficou apenas na teoria. Elas precisam de uma chance real para confrontar algumas “vacas sagradas” da administração tradicional.
  2. Não haviam softwares disponíveis ou acessíveis que permitissem sua fácil implementação.

O uso da TOC pode ser uma grande vantagem competitiva.

Imagine ter a sua disposição 3 indicadores (números) que lhe mostrem, durante o processo, a direção para onde suas ações estão levando a empresa, podendo mudar o rumo antes da “vaca ir pro brejo”. Para isso, esses indicadores precisam ser inquestionáveis e fáceis de compreender.

Indicadores Operacionais Globais
São indicadores financeiros, portanto, em regime de caixa, sobre o total das operações da empresa. Não há rateio para chegar a esses números, então, sem riscos de erro. São baseados na realidade.

  1. Ganho (G)
    É o índice que mede a capacidade da empresa de gerar ganho em dinheiro. É o somatório de todo o dinheiro que entra na empresa menos o que ela paga para terceiros. Significa que conta apenas o que ela recebe, não o que ela fatura, descontado dos pagamentos feitos aos fornecedores (compras para venda), impostos sobre vendas e os serviços de terceiros, como fretes e comissões.
  2. Investimento (I)
    O Inventário, como também é conhecido, é o montante de dinheiro preso na empresa em forma de estoques (mercadorias e produtos) e patrimônio (máquinas, equipamentos, imóveis, etc).
  3. Despesa Operacional (DO)
    Todo o dinheiro gasto na empresa para transformar o Investimento em Ganho (salários, aluguel, energia, outros impostos, etc.)

Indicadores de Resultado
Estes são os indicadores normalmente utilizados pelas empresas, a diferença é que aqui eles são gerados a partir dos indicadores da TOC, em regime de caixa. E é claro bem mais fácil de calcular e compreender.

  • Lucro Líquido (LL = G – DO)
    É o lucro em regime de caixa, o saldo de caixa operacional do período. Se for positivo, o lucro do Demonstrativo do Resultado do Exercício (em regime de competência) também será ou tenderá a ser positivo.
  • Retorno sobre o Investimento (RSI = LL / I)
    É a relação (em %) entre o lucro líquido de um período e o investimento global na empresa. Para ser interessante deverá ser superior ao retorno da melhor aplicação financeira do mercado. Acima de 4% seria ótimo.
  • Fluxo de Caixa (FC)
    É uma medida de sobrevivência. Se o caixa estiver bem, tudo estará bem, se não, passará a ser a prioridade número 1 da empresa. Hoje a melhor maneira de acompanhar os fluxos de caixa é pela Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Já usamos a mais de 8 anos, quando ainda não era obrigado por lei para algumas empresas.

Impacto dos Indicadores Operacionais sobre os de Resultado

Com estes números em mãos podemos acompanhar mensalmente a situação financeira da empresa com uma visão geral de curto prazo e, além disso, prever o seu impacto sobre os indicadores econômicos de longo prazo.

E mais importante ainda, poder analisar o impacto de cada ação nossa sobre os resultados da empresa. Desde aceitar um pedido de um cliente até a decisão de fazer investimentos e financiamentos. Antes de cada decisão analisar o que pode acontecer com os três indicadores, nessa ordem e sem desconsiderar nenhum deles: G, I e DO.
impacto
A figura está mostrando que se o Ganho (G) aumentar, também aumentarão o Lucro Líquido (LL), Retorno sobre o Investimento (RSI) e Fluxo de Caixa (FC). No caso da Despesa Operacional (DO) o desejado é que ela diminua para que o LL, RSI e FC aumentem. Já com o Investimento (I), o desejado é que ele diminua ou ao menos que fique estabilizado. Isto permitirá que aumente o RSI e o FC. Lembrando que o Investimento não afeta o lucro da empresa, basta observar a fórmula.
Sobre essa questão de não investir é comum gerar discussões. Tudo bem, normalmente precisa-se investir em algum recurso para ter-se ganho. Mas pense bem, não seria maravilhoso criar uma empresa que ganha dinheiro sem precisar investir nada ou apenas poucos recursos? Nada em equipamentos, instalações e estoque. Apenas despesas operacionais com pessoas e etc.. Bom, se alguém inventar um negócio que também não tenha despesas, me convide pra sócio.

Importante: A decisão é boa quando provoca um impacto positivo nos três indicadores de resultado.

Obs.: A “Teoria das Restrições” de Eliyahu Goldratt, é uma das três metodologias de gestão mais estudadas e aplicadas pelas melhores empresas do mundo neste momento. As outras são a “Lean Manufacturing” da Toyota e o programa “Six Sigma” da Motorola. Esse último ficou famoso depois do sucesso da sua implementação na GE. Hoje em dia é comum encontrá-las aplicadas em conjunto por serem complementares.

Nós usamos a TOC na gestão estratégica, tática e operacional da Ema Software. E o Ema Contas ERP é um dos poucos softwares de gestão empresarial que disponibilizam os indicadores da TOC como parte da estratégia de simplificar a gestão das empresas.

2 comentários:

  1. Paula Olavio Vieira disse:

    Boa Tarde

    Aprendi sobre a TOC na faculdade, mas como é muito superficial, você acaba pensando que é complicado de trabalhar com esta teoria, ou até mesmo pois estarmos acostumados a trabalhar com regime de competência, mas com o auxlio de um software que auxilie na elaboração destes dados, trabalhando com regime de caixa, fica simples trabalhar com eficiência.
    Parabéns pela iniciativa de auxiliar as empresas a simplificar sua administração.

  2. Pingback: Idéias que podem mudar sua visão sobre negócios | Ema Software


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