Conheci a Teoria das Restrições (TOC) no final dos anos 1980. Alguns anos mais tarde tive a oportunidade de experimentá-la na prática na gestão de uma indústria de médio porte e pude comprovar o seu valor na tomada de decisões.
Desde o início me encantei com sua simplicidade e lógica. Mas tenho visto muito pouco uso em pequenas e médias empresas. E acho que há basicamente duas razões para isso acontecer:
- Suas novas idéias não foram praticadas, ficou apenas na teoria. Elas precisam de uma chance real para confrontar algumas “vacas sagradas” da administração tradicional.
- Não haviam softwares disponíveis ou acessíveis que permitissem sua fácil implementação.
O uso da TOC pode ser uma grande vantagem competitiva.
Imagine ter a sua disposição 3 indicadores (números) que lhe mostrem, durante o processo, a direção para onde suas ações estão levando a empresa, podendo mudar o rumo antes da “vaca ir pro brejo”. Para isso, esses indicadores precisam ser inquestionáveis e fáceis de compreender.
Indicadores Operacionais Globais
São indicadores financeiros, portanto, em regime de caixa, sobre o total das operações da empresa. Não há rateio para chegar a esses números, então, sem riscos de erro. São baseados na realidade.
- Ganho (G)
É o índice que mede a capacidade da empresa de gerar ganho em dinheiro. É o somatório de todo o dinheiro que entra na empresa menos o que ela paga para terceiros. Significa que conta apenas o que ela recebe, não o que ela fatura, descontado dos pagamentos feitos aos fornecedores (compras para venda), impostos sobre vendas e os serviços de terceiros, como fretes e comissões. - Investimento (I)
O Inventário, como também é conhecido, é o montante de dinheiro preso na empresa em forma de estoques (mercadorias e produtos) e patrimônio (máquinas, equipamentos, imóveis, etc). - Despesa Operacional (DO)
Todo o dinheiro gasto na empresa para transformar o Investimento em Ganho (salários, aluguel, energia, outros impostos, etc.)
Indicadores de Resultado
Estes são os indicadores normalmente utilizados pelas empresas, a diferença é que aqui eles são gerados a partir dos indicadores da TOC, em regime de caixa. E é claro bem mais fácil de calcular e compreender.
- Lucro Líquido (LL = G – DO)
É o lucro em regime de caixa, o saldo de caixa operacional do período. Se for positivo, o lucro do Demonstrativo do Resultado do Exercício (em regime de competência) também será ou tenderá a ser positivo. - Retorno sobre o Investimento (RSI = LL / I)
É a relação (em %) entre o lucro líquido de um período e o investimento global na empresa. Para ser interessante deverá ser superior ao retorno da melhor aplicação financeira do mercado. Acima de 4% seria ótimo. - Fluxo de Caixa (FC)
É uma medida de sobrevivência. Se o caixa estiver bem, tudo estará bem, se não, passará a ser a prioridade número 1 da empresa. Hoje a melhor maneira de acompanhar os fluxos de caixa é pela Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Já usamos a mais de 8 anos, quando ainda não era obrigado por lei para algumas empresas.
Impacto dos Indicadores Operacionais sobre os de Resultado
Com estes números em mãos podemos acompanhar mensalmente a situação financeira da empresa com uma visão geral de curto prazo e, além disso, prever o seu impacto sobre os indicadores econômicos de longo prazo.
E mais importante ainda, poder analisar o impacto de cada ação nossa sobre os resultados da empresa. Desde aceitar um pedido de um cliente até a decisão de fazer investimentos e financiamentos. Antes de cada decisão analisar o que pode acontecer com os três indicadores, nessa ordem e sem desconsiderar nenhum deles: G, I e DO.

A figura está mostrando que se o Ganho (G) aumentar, também aumentarão o Lucro Líquido (LL), Retorno sobre o Investimento (RSI) e Fluxo de Caixa (FC). No caso da Despesa Operacional (DO) o desejado é que ela diminua para que o LL, RSI e FC aumentem. Já com o Investimento (I), o desejado é que ele diminua ou ao menos que fique estabilizado. Isto permitirá que aumente o RSI e o FC. Lembrando que o Investimento não afeta o lucro da empresa, basta observar a fórmula.
Sobre essa questão de não investir é comum gerar discussões. Tudo bem, normalmente precisa-se investir em algum recurso para ter-se ganho. Mas pense bem, não seria maravilhoso criar uma empresa que ganha dinheiro sem precisar investir nada ou apenas poucos recursos? Nada em equipamentos, instalações e estoque. Apenas despesas operacionais com pessoas e etc.. Bom, se alguém inventar um negócio que também não tenha despesas, me convide pra sócio.
Importante: A decisão é boa quando provoca um impacto positivo nos três indicadores de resultado.
Obs.: A “Teoria das Restrições” de Eliyahu Goldratt, é uma das três metodologias de gestão mais estudadas e aplicadas pelas melhores empresas do mundo neste momento. As outras são a “Lean Manufacturing” da Toyota e o programa “Six Sigma” da Motorola. Esse último ficou famoso depois do sucesso da sua implementação na GE. Hoje em dia é comum encontrá-las aplicadas em conjunto por serem complementares.
Nós usamos a TOC na gestão estratégica, tática e operacional da Ema Software. E o Ema Contas ERP é um dos poucos softwares de gestão empresarial que disponibilizam os indicadores da TOC como parte da estratégia de simplificar a gestão das empresas.
Boa Tarde
Aprendi sobre a TOC na faculdade, mas como é muito superficial, você acaba pensando que é complicado de trabalhar com esta teoria, ou até mesmo pois estarmos acostumados a trabalhar com regime de competência, mas com o auxlio de um software que auxilie na elaboração destes dados, trabalhando com regime de caixa, fica simples trabalhar com eficiência.
Parabéns pela iniciativa de auxiliar as empresas a simplificar sua administração.
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