Blog

Centro de custos pode ser um vilão da cultura organizacional

Criar centros pode gerar muitos custos invisíveis

André Marchioro
CEO Ema Software
Pessoas e negócios com propósito me fascinam
21 Fevereiro 2021 | Domingo 20h43

Centro de Custo e
Cultura Organizacional

O assunto é polêmico. Existem muitos gestores e consultores que defendem essa forma de fazer gestão. Eu particularmente não gosto da forma como ela é, e penso que deve ser bem analisada sua implementação. Já vi muitas empresas sofrendo com rotatividade, demitindo pessoas, seja por aumento de pressão, aumento de absenteísmo, adiando investimentos, sofrendo com conflitos internos, deixando de aproveitar diversas oportunidades devido a forma de gestão focada em centro de custos.

Muitas empresas já se beneficiaram e ainda se beneficiam com esse modelo de gestão, mas é possível ver outras empresas com foco em inovação que não deixam o centro de custo atrofiar seu espírito colaborativo e muito menos fazer com que ele burocratize e complique a gestão de uma empresa.



Quando a direção organiza a empresa por centro de custo, ela transmite uma mensagem subliminar para a organização que impacta diretamente na cultura organizacional. A mensagem é que existem várias empresas dentro de uma, e cada uma tem que se sustentar, dar lucro para sua área, e isso muitas vezes gera um clima de competição interna muito grande, ofuscando o sentimento de cooperação, onde cada departamento começa defender seus interesses e não mais os interesses da empresa como um todo. 

Eu concordo que todas as áreas devem ser sustentáveis, mas existem outras formas de fazer essa gestão para que se torne mais coerente e saudável para a cultura organizacional.
 

Qual a principal
meta das empresas?


A meta de toda empresa é ganhar dinheiro. Quanto mais melhor!

Se no orçamento estava previsto a empresa gerar um lucro líquido de 20%, será que importa mesmo saber de qual área veio este dinheiro? Ou os acionistas querem os 20% dos lucros? 

- Eu particularmente prefiro os 20% de lucro, e continuaria fazendo uma gestão efetiva com os líderes de cada área para obtermos juntos o melhor desempenho possível; questionaria constantemente como medem a capacidade x ociosidade da equipe, quais produtos ou serviços dão as melhores margens, quais os custos e rentabilidade do projeto A, do B, do C; faria diversas análises sistêmicas, e em caso de perceber áreas que podem gerar mais rentabilidade, tomaria decisões em conjunto com o time as melhores decisões, gerando um sentimento de gestão participativa, sem decisões unilaterais que muitas vezes afetam outras áreas.

Ressalto para meu time que é mais importante focar nos ganhos do que reduzir custos. Afinal de contas por mais que você reduza os custos, ele é limitado, já os ganhos não tem limites, você pode ganhar cada vez mais, e isso vai moldando a forma de pensar na sua empresa, a sua cultura organizacional é contagiada, todos começam a pensar em aumentar os ganhos, independente das áreas. Existe assim, um pensamento mais coletivo, analisando quais as áreas que podem gerar mais resultados, com equipes mais abertas ao diálogo, aceitando as ideias de outras áreas. Isso gera muita interação e sentimendo de "time", de união. 
 
Formas de controlar os centros de custos
Os sistemas ERP geralmente vem com um cadastro de plano de contas e também de centro de custos para que seja possível a área financeira e controladoria organizar os números da empresa.

O principal objetivo dessa gestão é você controlar as receitas e despesas de cada área ou de cada projeto da empresa, fazendo que cada área possa "se pagar".

Normalmente as áreas de staff (gestão pessoas, administrativo financeiro, tecnologia da informação, jurídico, marketing, etc...) não tem como gerar receitas ativas. Elas precisam ter destinado uma parte das receitas da área comercial para serem sustentadas, e suas despesas são rateadas nas outras áreas. Afinal, elas contribuem na administração geral do negócio. 


Quando falamos de rateios eu sou totalmente contra. Começa a complicar a gestão que poderia ser mais simples, pois os rateios muitas vezes são "chutes", você começa a medir quantos metros quadrados tem uma sala, estipula um percentual da energia elétrica, água, staff. E aí, você começa a tentar dividir os investimentos, as vezes para agradar a um líder ou outro, ou até mesmo fazer um projeto que é da vontade da direção, mas o gargalo da empresa as vezes é outro. Fica gastando o orçamento em projetos que não irão ajudar realmente a empresa a chegar na margem desejada, e esse tipo de gestão gera muita miopia. Quando conseguimos comprovar para alguns gestores, inicialmente eles ficam até chateados, mas no fim percebem que realmente estavam errados.

Você pode fazer toda a gestão do orçamento e das finanças de forma mais simples, apenas organizando o seu plano de contas, dividindo ele por áreas. Isso simplifica muito sua análise e você consegue extrair vários indicadores apenas olhando seu D.R.E.

As vezes o trabalho é tão grande para controlar, treinar seus colaboradores sobre os conceitos e quais contas selecionar, para que no final, verificar vários erros e atrasos nas apurações de resultados, as vezes gastará uma boa grana com consultorias e auditorias, sendo que se fosse mais simples, essa grana poderia acrescentar no seu resultado.
 
Como simplificar sua gestão e gerar ROI nas áreas
Primeiramente você deve definir uma missão para cada área da sua empresa, e fazer com que cada líder engaje seus liderados nessa missão. 

O líder deve fazer mensalmente um relatório de desempenho da sua área, fazendo uma avaliação qualitativa das pessoas e dos processos, além de aprensentar os indicadores que comprovem que sua missão está sendo executada e aperfeiçoada constantemente. Deve-se montar gráficos com linhas de tendências para perceber oportunidades ou ameaças, facilitando a tomada de decisões em prol da melhoria do desempenho. Nesse relatório ele deve tentar apresentar o seu ROI (Retorno Sobre Investimento), e que até mesmo as áreas de staff devem tentar mensurar.

Convoque uma reunião mensalmente com todos seus líderes. Eles devem apresentar seus relatórios, e ao final o head financeiro ou da controladoria mostra o orçamento empresarial, bem como, a grande meta da empresa. Se estão conseguindo atingir os resultados esperados pela direção, caso não esteja acontecendo, o CEO da empresa deve tomar as decisões para que os números sejam alcançados, e a visão, missão e valores da empresa sejam concretizados ou até mesmo revisados.

Todas essas dicas de como simplificar a sua gestão empresarial você encontra no livro O lado humano da gestão.


Pense com carinho na forma que você vem aplicando gestão, pois ao invés de gerar colaboração você pode estar gerando competições internas, e esse cabo de guerra muitas vezes pode ser a razão da inércia da empresa. Surpreenda-se com um time colaborativo onde todos entendem os investimentos, e navegam juntos na mesma direção.